Para que servem os dentes do siso? Entenda por que a avaliação precoce é essencial.

Os dentes do siso sempre despertam muitas dúvidas. Afinal, se eles quase nunca têm espaço para nascer e frequentemente causam dor, infecções e outros problemas, por que ainda existem? Será que têm alguma função? E, principalmente: vale a pena esperá-los incomodarem para só então procurar um dentista? 

A verdade é que os sisos são dentes que perderam sua utilidade ao longo da evolução humana e, por isso, hoje têm muito mais potencial para causar problemas do que para auxiliar na mastigação. 

A seguir, você vai entender de forma clara e completa o papel dos sisos, por que eles se tornaram “incompatíveis” com a nossa realidade atual e quando é realmente indicado avaliá-los ou removê-los. 

Entenda mais na leitura a seguir!

O que são os dentes do siso? 

Os dentes do siso são os últimos molares da arcada dentária. Tradicionalmente, eles surgiam para auxiliar na mastigação de alimentos mais rígidos, típicos da alimentação humana há milhares de anos. 

Nessa época, as mandíbulas eram maiores e havia espaço suficiente para todos os dentes. 

Com o passar do tempo, nossa alimentação mudou. Hoje comemos alimentos mais macios, cozidos e processados. Isso fez com que a mandíbula humana diminuísse gradualmente ao longo das gerações.
Resultado: o siso continuou existindo, mas o espaço para ele praticamente desapareceu. 

Por isso, muitos especialistas acreditam que, no futuro, os sisos podem até deixar de existir completamente, assim como partes do corpo que já não têm utilidade, como o apêndice.

Os sisos têm alguma função mastigatória? 

Em termos práticos, não.
A maioria das pessoas não utiliza o siso na mastigação porque: 

  • Ele raramente nasce alinhado com os outros dentes. 
  • Muitas vezes fica totalmente encoberto pela gengiva. 
  • Em outros casos, nasce pela metade, dificultando a limpeza. 
  • E, mesmo quando aparece, sua posição costuma ser inadequada. 

Isso significa que, em vez de participar da mastigação, o siso costuma ser um dente “sobrando”, sem função, e ainda trazendo riscos. 

Por que os sisos raramente têm espaço para nascer? 

O motivo está diretamente relacionado à evolução da mandíbula humana
Como a arcada dentária diminuiu ao longo do tempo, os últimos dentes da lista — os sisos — não encontram espaço para se posicionar corretamente. Isso explica por que eles são os dentes que mais frequentemente nascem tortos ou ficam inclusos (presos no osso). 

Quando isso ocorre, o siso pode: 

  • empurrar o dente vizinho; 
  • nascer em posição horizontal; 
  • ficar parcialmente exposto; 
  • ou simplesmente não nascer.

Esse “nascimento problemático” é o que abre espaço para uma série de complicações.

Quais problemas os sisos podem causar? 

Por serem dentes difíceis de higienizar e frequentemente mal posicionados, os sisos podem causar vários problemas, muitas vezes de forma silenciosa. 

Entre os mais comuns estão: 

  • Infecções e inflamações — Quando o siso nasce pela metade, a gengiva fica aberta e vulnerável à entrada de bactérias, causando dor e inchaço frequentes (pericoronarite). 
  • Danos ao dente da frente — Um dos problemas mais graves é quando o siso empurra o segundo molar, causando cáries profundas e até perda do dente saudável.
  • Acúmulo de comida e mau hálito — A posição difícil dificulta a limpeza, favorecendo bactérias.
  • Cistos e lesões ósseas — Em dentes inclusos, pode se formar um cisto que compromete o osso da mandíbula.

Esses problemas aparecem com tanta frequência que os sisos são hoje os dentes mais extraídos na odontologia. 

Por que prevenir é melhor do que remediar? 
 

Esperar o siso “incomodar” quase nunca é a melhor escolha. Isso porque muitos danos acontecem antes da dor aparecer.
É comum ver pacientes que só procuram ajuda quando o problema já está avançado — especialmente quando o segundo molar já foi prejudicado pelo siso. 

A avaliação precoce permite: 

  • identificar riscos antes que se tornem problemas; 
  • planejar a retirada de forma segura; 
  • evitar infecções, dor e procedimentos mais complexos; 
  • e garantir uma recuperação mais tranquila.

Qual a melhor idade para avaliar os sisos?

A faixa ideal é entre 15 e 18 anos. Nessa fase, as raízes do siso ainda estão se formando e o dente não está totalmente “preso” ao osso, o que torna a remoção mais simples e a cicatrização mais rápida. 

Mas isso não significa que só adolescentes podem avaliar. Mesmo que você já tenha passado dos 20, 30 ou até mais, avaliar o siso continua sendo fundamental — especialmente se nunca foi feito. 

Muitas pessoas passam a vida sem sentir absolutamente nada e, ainda assim, o siso está ali causando danos silenciosos. Só um exame clínico e radiográfico pode mostrar se ele está afetando ou ameaçando outros dentes.

Quando realmente é indicada a remoção do siso? 

A remoção é indicada quando: 

  • não há espaço para o siso nascer; 
  • ele nasce torto ou pressionando o dente vizinho; 
  • há infecção, inflamação ou dor recorrente; 
  • existe risco de cárie no segundo molar; 
  • o dente está incluso e pode gerar cistos ou lesões. 

Cada caso deve ser avaliado individualmente, com base em exames e na saúde geral do paciente.

Como funciona a avaliação do siso?

A avaliação é simples e prática: 

  1. Exame clínico — O dentista analisa a região, presença de dor, inflamação e sinais visíveis. 
  1. Radiografia Panorâmica — Mostra a posição exata do siso, o espaço disponível e possíveis riscos. 
  1. Plano de tratamento — Com as informações, é possível decidir se o melhor é acompanhar ou remover. 

Essa análise evita surpresas e garante o melhor cuidado para sua saúde bucal. 

Agora você sabe que os dentes do siso são dentes que perderam sua função e, na maioria das vezes, não encontram espaço para nascer adequadamente. Por isso, são responsáveis por inúmeros problemas que afetam o conforto, a estética e até a saúde dos dentes vizinhos. 

Avaliar cedo — preferencialmente entre 15 e 18 anos — é a forma mais segura e tranquila de evitar dores, infecções e complicações futuras. E mesmo que você já tenha passado dessa fase, ainda é tempo de investigar e prevenir danos. 

A prevenção continua sendo o melhor caminho.

 

Os dentes do siso eram úteis quando a mandíbula humana era maior e a alimentação exigia mais força de mastigação. Hoje, eles praticamente não têm função e muitas vezes só trazem riscos à saúde bucal. 

Com a evolução, nossa mandíbula ficou menor. Assim, os sisos — que são os últimos dentes da arcada — não encontram espaço para se posicionar corretamente, gerando dores, inflamações e outros problemas. 

Não necessariamente. Mas a maioria das pessoas acaba precisando, seja por falta de espaço, mau posicionamento, risco de infecção ou danos ao dente vizinho. A decisão é feita após avaliação clínica e radiográfica. 

A faixa ideal é dos 15 aos 18 anos, quando as raízes ainda estão se formando e a remoção é mais simples. Porém, qualquer idade é adequada para avaliar e prevenir complicações. 

Sim. O problema mais comum é o siso empurrar ou pressionar o segundo molar, causando cáries profundas, inflamações, dor e até perda do dente saudável. 

A necessidade é definida por um dentista após exame clínico e radiografia panorâmica. Indicações comuns incluem dor, infecção, falta de espaço, mau posicionamento e riscos ao dente vizinho. 

Dr. Henrique Taniguchi

Dr. Henrique Taniguchi

Cirurgião-Dentista | CRO-GO 8865
Especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial e Implantodontia
Mestre em Implantodontia – SLM/SP | Formação USP